Um grito de alerta.

 A tomada do Complexo do Alemão pela polícia foi realmente incrível. A rapidez e técnica usada por todos os envolvidos nessa operação foi sem dúvida inacreditável. Inacreditável pois com certeza todos nós cariocas tivemos a impressão que não seria algo tão rápido e nem tão pouco fácil. Com certeza a sensação que tive naqueles dias de medo, insegurança e até de estar desamparada pela polícia, não foi sentido só por mim que moro distante do Alemão.
 Fico feliz e até esperançosa, quando vejo toda mobilização de moradores, governantes e incasávelmente da mídia, conseguida pelo brilhante trabalho da polícia em resgatar uma comunidade antes esquecida pela cidade, vista apenas pela violência fazendo dos moradores antes reféns hoje cidadãos cariocas importantes sendo ouvidos por todo Brasil ou melhor por todo mundo. Sei que nada dura para sempre e por isso sei que não depende só dos governantes e policiais nossa vida em comunidades. Digo que sei porque moro em uma comunidade que mais me parece uma pequena ilha esquecida do mundo. O lugar onde eu moro não tem infraestrutura, saneamento, ruas, instalações elétricas decentes, telefone para todos, água legalmente encanada, muito menos lugar para as crianças brincarem e essas crianças não são poucas. Aqui, mães que trabalham fora muitas vezes contam com os olhares dos vizinhos e parentes para poder deixarem seus filhos e sair pra trabalhar. Acho tudo o que está acontecendo no Alemão muito bom pois sei dos problemas e dificuldades dos moradores de comunidades, mas acho que há muito o que se fazer nessa cidade. Tanto que parar por mais que por alguns dias nossos olhares para vermos os trabalhos de ação social  que estão sendo feitos no Alemão é um pouco injusto. Sei que posso estar parecendo até um pouco egoísta mas nossa sociedade parece sempre estar sendo levada com as ondas que surgem. E com isso deixando passar as marolinhas que certamente seriam resolvidas com muita rapidez e até de verdadeiros Tsunamis que estão por vir. 
 Aqui onde moro esperamos a mais 18 anos por soluções que parecem ter sido esquecidas por muitos que aparecem todos os anos de eleição dizendo que vai fazer e acontecer e que na verdade nos deixam sem esperança de um dia ter um ponto final. Mesmo sabendo que esperança é a ultima que tem que morrer, a nossa já não tem tanta força pra continuar vivendo. Não temos direito a praticamente nada. Temos filhos sem lugar pra brincar, temos casa mais sem rua pra identificar, temos carros sem lugar pra estacionar pois moramos em um morro onde não é difícil de se morar. O verão está chegando e todos os problemas de um morro junto com ele. É muita lama pelo caminho, é insegurança antes durante e depois dos temporais. 
 Queremos ser vistos, queremos ser ouvidos e termos mesmo que em pequena quantidade, uma rua onde possamos no mínimo receber correspondência. Queremos viver decentemente e deixarmos de ser descriminados por moradores HIPÓCRITAS que olham para nós como se fôssemos marginais ou portadores de alguma doença altamente contagiosa. Gente que por muitas vezes professam da mesma fé que eu, que diz ir a igreja, que carrega bíblia mas, não conhece a Deus, não conhece nem mesmo a mão pesada do Deus que diz servir.
 Estamos cansados de tanta hipocrisia, de tanto preconceito de tanta soberba ao nosso redor. 
 Espero um dia postar a real mudança e melhoria do lugar onde eu moro, na cidade que tanto amo no país que fielmente acredito.                                                        
                                                                                                                                 Flavia Torres

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